Nascer de novo

EURÍPEDES BARBOSA

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Jesus, tendo vindo às cercanias de Cesaréia de Filipe, interrogou assim a seus discípulos: “Que dizem os homens, com relação ao filho do Homem? Quem dizem que eu sou? ” Eles lhe responderam: “Dizem uns que és João Batista; outros, que Elias; outros, que Jeremias, ou algum dos profetas.” Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: “Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo. ”  Replicou-lhe Jesus: “Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. ” (Mateus, cap. XVI, vv. 13 a 17; Marcos, cap. VIII, vv. 27 a 30)

Palingenesia, para os povos da antiguidade e Metassomatose, para os modernos investigadores, a reencarnação é o retorno, tantas vezes quantas forem necessárias, do Espírito a um corpo de carne, atendendo ao impositivo da lei de Deus: evolução. A reencarnação constitui o alicerce das religiões do pretérito. A sua, é a história da evolução do pensamento religioso.

Na Índia, nos Vedas e no Bhagavad-Gitâ, o conhecimento da reencarnação era divulgado através dos cantos imortais da formação moral e cultural do homem. Pitágoras a introduziu na cultura grega, após tê-la absorvido dos esoteristas egípcios e persas. Os egípcios criaram a metempsicose ou reencarnação do Espírito humano em forma animal, reflexo do estado psicológico dos ex-capelinos que lá estavam, que acreditavam ser possível tal processo, tendo em vista que foram exilados do seu “paraíso”, Capela, para um planeta de provas e expiações. Mesmo Heródoto, o “pai da história”, ensinando a doutrina das vidas sucessivas, supunha que a metempsicose fosse uma punição necessária ao espírito empedernido.

Sócrates e Platão ensinavam a reencarnação. Os neoplatônicos, como Orígenes, Tertuliano etc., consideravam a reencarnação como único meio para solucionar problemas e enigmas da filosofia. Interpretando as necessidades humanas, Virgílio e Ovídeo, pensadores romanos, difundiam as lições da reencarnação. Os Druidas, nas Gálias antigas, apoiavam todos os seus ensinos na justiça da palingenesia. Os Hebreus aceitavam-na sob o nome de ressurreição.

Pensadores medievais adotaram a reencarnação, entregando-se às pesquisas, contudo, pagavam a intrepidez com a própria vida…

Em todos os tempos, crianças houve que se expressavam em diversos idiomas. Outras denotavam pendor musical, enquanto escultores deslumbravam seus mestres em plena idade infantil. Através da reencarnação, matemáticos, astrônomos, físicos modernos retornam a ampliar, ainda mais, as suas aquisições.

Compulsando a bíblia, no velho testamento, vamos encontrar em Isaías, capítulo XXVI, v. 19 e no livro de Jó, capítulo XIV, v. 10 e 14, “embriões” de ensinamentos sobre a reencarnação.

Com o advento do Espiritismo, em 18/04/1857, nossos conhecimentos sobre a reencarnação ampliaram-se. Conscientizamo-nos de que seu objetivo é o de expiação dos erros do passado e melhoramento progressivo da humanidade.  A reencarnação é o reflexo da justiça divina. No livro Missionários da Luz, capítulo 13, André Luiz, notável espírito, traz-nos um caso onde é explicado um processo de reencarnação.

Foi Jesus quem melhor afirmou a necessidade da reencarnação em seu diálogo com Nicodemos (João, cap. 3, vv. 1 a 4), asseverando que o retorno à organização física para reparar e aprender, nascendo  “do corpo e do espírito”, para a própria redenção é uma lei inexorável. Não obstante Nicodemos interrogar, como tal seria possível, retornar ao ventre materno, o Mestre assegurou-o, interrogando-o, a seu turno, como seria crível que ele, doutor em Jerusalém, ignorasse aquilo, que era conhecido pelos estudiosos e profetas.

Com a frase “Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo”, entendemos que apenas uma vida não é suficiente para a depuração. Através das reencarnações o homem progride e entrará no reino de Deus. De outra feita, respondendo às perguntas dos discípulos (Mateus, cap. 17, vv. 10 à 13) ao descer do “Tabor”, após a transfiguração, reiterou que o Elias já viera; Entenderam que era de João Batista que ele falara.

Por fim, um último esclarecimento: Na vida espiritual, os Espíritos relacionam-se afetivamente, formando grupos ou famílias pelos laços da afeição, simpatia, inclinações. Não se segue daí que lá teremos vários pais e diferentes mães. Lá somos todos irmãos. Encontraremos no plano espiritual aqueles que foram objeto de nossa afeição, que a nós se ligaram na terra em condições diferentes ou numa mesma condição.

Assim, caros irmãos, queiram os cépticos ou não, a reencarnação é lei. Nas últimas décadas, pesquisas científicas – como as de Banerjee [Hemendra Nath Banerjee (1929-1985)], Ian Stevenson [Ian Pretyman Stevenson (1918-2007)], Brain Wess (Brian Leslie Weiss, nascido em 1944) e o nosso Hernani Guimarães Andrade (1913-2003), caminham a passos largos, comprovando-a.

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

 

  1. O livro dos espíritos – KARDEC, Alan – FEB
  2. O evangelho segundo o Espiritismo – KARDEC, Alan – FEB
  3. Estudos espíritas. Joanna de Ângelis. Divaldo Franco – FEB
  4. A reencarnação na bíblia. MIRANDA, Hermínio C. – Pensamento

 


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